O valor da história

Helena Tannure fala  a respeito de uma experiência que viveu com sua família. Vale a pena ler, porque com certeza você será edificado.

Nós, como pais tentando acertar, cometemos graves erros; nos desdobramos para proporcionar aos nossos filhos tudo o que não tivemos, queremos protegê-los, presenteá-los e acabamos exagerando.

O resultado disso, na maioria das vezes, são “pessoinhas” mimadas, egoístas e que não sabem lidar com o não. Fatalmente se tornarão adultos despreparados para a vida.

Ultimamente, nossos passeios semanais em família têm se restringido aos redutos mais comuns como Shopping, cinema, lugar de jogos e o tradicional McDonald’s; mas ontem resolvemos fazer diferente!

Assim que expus meu plano, senti o espanto e certo desânimo nos olhos da minha turminha, mas não fui intimidada!

Pegamos um ônibus e rumamos para o Centro de Belo Horizonte. Como todo centro de metrópole, você pode imaginar barulho, sujeira, trânsito intenso de veículos e pessoas, algo não muito frequente na vida de nossos filhos!

Assim que descemos do ônibus, eles queriam saber nosso destino. Eu e o João ( meu esposo), despreocupadamente respondemos: “Vamos andar por aí…”

Logo na esquina próxima, conhecemos o Sr. José Luis, deficiente visual que, animadamente vendia, entre outros apetrechos, cadarços coloridos! Eu disse para as crianças: Quem quiser comprar cadarços coloridos em BH, só aqui no Centro! Não encontramos nos Shoppings. Muito interessados, logo começaram a escolher, era o princípio da aventura!

Em seguida passamos pela minúscula loja onde eu havia comprado os chapéus para minha mãe e sogra e minhas luvas que usamos em meu casamento! Hoje, a loja é especializada em artigos teatrais, o que gerou bastante animação e compras originais!

Passamos também pela loja onde fiz o enxoval pessoal do João Lúcio, em frente ao prédio onde, na adolescência, eu frequentava o dentista. Depois entramos em uma pastelaria popular onde minha mãe me levava quando era criança, apresentamos a eles lugares onde aconteceram fatos divertidos quando ainda éramos adolescentes, paramos para lanchar no primeiro McDonald’s que entramos em nossas vidas e finalizamos o passeio visitando o hotel onde João e eu tivemos nossa noite de núpcias, inclusive pudemos entrar, com eles, em um dos quartos!

Tudo isso cercado de muitas histórias e lembranças!

Quando terminamos o passeio, tive a certeza de que havia dado aos meus filhos muito mais que diversão, tinha compartilhado com eles mais um pedaço da nossa história antes deles.

Para descobrirmos aonde desejamos ir, é importante saber de onde viemos. Foi maravilhoso ouvir da Clara, a mais velha: “Este foi o melhor passeio que já fizemos!”

Uma convicção se confirmou em meu coração: Patrimônio não é o maior legado que posso deixar para os meus filhos; as experiências que proporciono a eles, essas sim, são matéria prima para que eles construam sua própria história!

Pense nisso! O tênis de marca ou o celular podem ser levados pelo assaltante, mas as histórias e vivências ninguém pode tirar de quem você ama!

 Helena Tannure

Portal Lagoinha.com

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